RUI CORREIA

galeria: portugal/marrocos-alquimia de dois povos

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O homem é um eterno alquimista e o mundo o seu imenso laboratório!

 E é nas lentas combustões do tempo e da história que ele realiza as mais estranhas transmutações, nessa perseguição incansável de querer transformar o metal menos nobre em oiro refulgente que ilumine a vida de uma luz absoluta. É nesta alquimia, nesta combustão incessante do fogo da vida, que povos se encontram e perdem, se misturam e se separam, se aproximam e se afastam, como um mar feito de marés cheias e vazias.

 Também a relação alquímica entre Marrocos e Portugal foi uma enorme transfusão sanguínea entre povos que, tendo, à partida, um "tipo de sangue" e cultura diferentes, mesmo assim se misturaram nos encontros e desencontros que fazem a história das relações entre ambos e partilharam, como irmãos de sangue, juramentos e vivências íntimas, tais como linguagem, música, arquitectura, conhecimentos, vida quotidiana, enfim, a respiração vital de cada povo. E se no palco iluminado da história, por vezes, os holofotes se apagaram subitamente, mesmo assim, na sombra, continuou a desenvolver-se, a circular, a oxigenar-se esse sangue então transferido e inserido no corpo vivo, na cultura de cada um dos povos.

É esta alquimia que a exposição destas fotografias pretende dar a ver. No fundo, também são elas o testemunho de uma outra forma de alquimia, a da transmutação da realidade pelo olhar fascinado do fotógrafo que, em cada fotografia, pisca o olho à realidade e vê nela o caleidoscópio de múltiplas realidades, de múltiplos sonhos, de múltiplos passados e de futuros escondidos, à espreita e à espera de quem os venha captar/fotografar.

 E como um vagabundo de imagens, o fotógrafo incitamos à viagem, no tempo e no espaço, e abre persianas na nossa visão sobre o mundo e sobre nós próprios, fazendo-nos descobrir o longo contrabando histórico e cultural que foi e é a alquimia entre estes dois povos.

 

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